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Germinação de sementes e respostas iniciais de plântulas de Mangifera indica a condições edáficas e hidrológicas contrastantes na Amazônia Central

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A Floresta Amazônica é classificada em dois tipos: inundável (várzea e igapó) e não-inundável (terra firme), tendo o relevo, a água dos rios, o solo e a distribuição das chuvas como alguns dos principais fatores para determinar a vegetação. O ambiente de terra firme é caracterizado por possuir alta diversidade numa região com solos pobres em nutrientes; já a várzea, ambientes periodicamente inundados por rios de água branca, submetida a um pulso de inundação monomodal, previsível e regular, possui solo rico em nutrientes e é fundamental para a sobrevivência de grupos humanos. Durante o povoamento das áreas de várzea, espécies exóticas foram introduzidas, como por exemplo a mangueira (Mangifera indica L.), em suas inúmeras variedades, incluindo a variedade “manguito”. O fruto desta espécie é destaque na exportação do país e apresenta diversos benefícios a saúde. De grande importância cultural e econômica, esta espécie vem sendo domesticada há muito tempo por humanos. Adaptou-se favoravelmente ao clima brasileiro, tornando-se quase obrigatória na paisagem do norte do país, sendo facilmente encontrada tanto nos quintais florestais dos ambientes de várzea quanto nos perímetros urbanos, estradas e em sítios, nas regiões de terra firme. O presente estudo objetivou entender como ocorre o crescimento e possíveis adaptações da mangueira, nesses dois ambientes tão distintos da Amazônia Central, por meio das análises de germinação, biometria de frutos e sementes, biometria e biomassa de plântulas, bem como análises dos solos. Análises dendroecológicas foram realizadas a fim de entender o crescimento das árvores, nesses ambientes, por meio da análise dos anéis de crescimento e correlacionar os dados à inundação. Os resultados da germinação apontaram maior porcentagem de germinação e produção de plântulas para as sementes oriundas de terra firme, semeadas tanto em solo de várzea (81 %) quanto em solo de terra firme (86 %). A porcentagem de germinação das sementes de várzea foi de 47 % em solo de várzea e 30 % em solo de terra firme. Mesmo com valores favoráveis, a porcentagem apresentada por sementes de terra firme foi maior, indicando limitações quanto à germinação e ao crescimento desses indivíduos em ambientes de várzea, possivelmente provocadas pelo regime de inundação. Valores de tempo médio de germinação (t̄) foram maiores para os tratamentos com solo de terra firme, tanto para sementes de várzea quanto para sementes de terra firme, já os índices de velocidade de germinação (IVG) foram maiores para os tratamentos com solo de várzea. A biometria de frutos e sementes foi significativamente maior para os frutos e sementes oriundos de várzea. A biomassa de plântulas não apresentou resultados significativos, assim como as análises entre os tipos de solos. A partir dos estudos dendroecológicos, obteve-se um crescimento maior e mais uniforme para as árvores de terra firme, assim como também apresentaram maiores valores para densidade da madeira e incremento em diâmetro quando comparadas com as árvores de várzea. Portanto, para a mangueira na Amazônia, a terra firme é o ambiente mais favorável, sem o fator da inundação, essa espécie se adaptou melhor, cresceu mais e se estabeleceu produzindo frutos e sementes com maior germinabilidade, mesmo em solo com pouco nutrientes.

Abstract

The Amazon Rainforest comprises two major environmental types: floodable (várzea and igapó) and non-floodable (terra firme), whose vegetation is primarily structured by topography, hydrology, soil properties, and rainfall patterns. Terra firme forests harbor high biodiversity despite nutrient-poor soils, whereas várzea environments—periodically inundated by white-water rivers and governed by a predictable, monomodal flood pulse—are characterized by relatively nutrient-rich substrates and long-standing human use. The introduction of exotic species into várzea landscapes includes the mango tree (Mangifera indica L.), a culturally and economically important species widely domesticated and well adapted to tropical conditions. In northern Brazil, mango trees are now ubiquitous, occurring in várzea backyards as well as in urban, roadside, and rural terra firme settings. This study evaluated germination, fruit and seed biometry, seedling growth and biomass, soil characteristics, and dendroecological patterns to investigate the performance and potential adaptations of M. indica in contrasting environments of Central Amazonia. Seeds from terra firme exhibited higher germination rates, both in várzea (81%) and terra firme soils (86%), compared to seeds from várzea (47% and 30%, respectively). Mean germination time was greater in terra firme soils for both seed origins, whereas germination speed index values were higher in várzea soils. Fruits and seeds from várzea were significantly larger; however, seedling biomass did not differ among treatments. Dendroecological analyses indicated greater growth uniformity, higher wood density, and increased diameter increment in terra firme individuals relative to those from várzea. Overall, terra firme conditions favored the establishment and development of M. indica, suggesting that the absence of flooding enhances growth performance and germination success, even under nutrient-poor conditions.

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